Ainda Número zero – desta vez no Jornal Rascunho

Umberto_Eco_ilustra_De_Almeida_186Em setembro o Jornal Rascunho publicou um artigo intitulado Sonolento e previsível, cujo autor fazia algumas afirmações sobre o mais recente romance de Umberto Eco, Número zero. Rebati essas afirmações em outro artigo, publicado em outubro, que recebeu o título de Em defesa de Eco. Os tópicos discutidos giram principalmente em torno de duas afirmações do autor do artigo anterior:  1) o romance Número zero é do gênero policial; 2 ) Eu “domestiquei”  a minha tradução, ou seja, não me ative à “letra” do original e criei um texto que dá a impressão de ter sido escrito em português (essa é, grosso modo, a definição de domesticação em tradução).Convido à leitura dos artigos publicados no Jornal Rascunho e à reflexão sobre seu conteúdo.

Suplemento especial com tradutores brasileiros

São Jerônimo escrevendo - Caravaggio
São Jerônimo escrevendo – Caravaggio

A hora e a vez do tradutor brasileiro

Suplemento especial da Secretaria de Estado de Cultura de Minas Gerais

Organização de João Pombo Barile 

Arquivo PDF: SuplementoTradutores-Novafonte2

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A personagem NÚMERO ZERO de Umberto Eco

umberto eco

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ENTREVISTA DE UMA PERSONAGEM POR UMA TRADUTORA

ou Diálogo de uma invisibilidade com uma ficção, em que a primeira arranca à segunda informações que esta não quer dar sobre as citações do livro Número Zero de Umberto Eco

Simei, uma das personagens centrais de Número zero, é a síntese da ausência de grandeza. Simei não é herói nem anti-herói porque no mundo dele essa palavra não tem significado, e o mundo dele é o mundo real, no sentido mais rasteiro da expressão “mundo real”. Simei é uma daquelas personagens que pesam no estômago do autor e precisam ser expelidas antes que o matem, como aconteceu ao oficial Kane na fábula cinematográfica Alien.

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Minha avó analfabeta

ouro para o bem do brasil

Eu vivia meio distante dela, de minha avó analfabeta, que me criou até os dez anos de idade com afagos de mãe. Por problemas familiares, estávamos afastadas, morando cada uma de um lado da cidade: ela adoentada, e eu numa idade que não me permitia ainda plena capacidade de ir e vir. Foi quando soube que ela estava hospitalizada, não me lembro por qual doença. Lembro que peguei vários ônibus e fui visitá-la numa tarde chuvosa. Entrei no quarto com uma de minhas tias: ela dormia. Eu nunca tinha visto aquela mulher tão entregue, tão desarmada e derramada em sono tão profundo. Logo me informaram que não acordaria tão depressa, estava sedada. Continuar lendo “Minha avó analfabeta”

O tradutor e o português

mapamundi01Este texto é transcrição de uma apresentação que fiz em 2002, a convite de Regina Alfarano e Adauri Brezolin, no auditório Mozart da UNIBERO, por ocasião do evento comemorativo do dia do tradutor e do lançamento do no. 11 da revista Tradução e comunicação. Aborda a repercussão da atual (não) formação profissional do tradutor sobre a sua proficiência em língua portuguesa, a necessidade de domínio dos diversos registros da sua língua para o bom exercício da profissão, o modo como o ensino de língua portuguesa tem sido encarado nos últimos tempos e a inserção do tradutor na realidade político-social através do uso que ele faz do seu idioma.

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Immaculada – uma entrevista sai do baú

estatueta de mulher-com ladrilhoClique aqui para ler um trecho de Immaculada.

Esta minha conversa com Duanne Ribeiro é de 2010. Foi publicada na revista eletrônica Capitu. Gostei muito da abordagem dele ao meu romance, mas, infelizmente, a revista parece que saiu do ar e, com ela, esta entrevista. Remexendo os guardados, descobri o texto, que agora reproduzo. Continuar lendo “Immaculada – uma entrevista sai do baú”

O Pequeno príncipe – notas de (uma) tradução – 3

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ATENÇÃO: OS TRÊS ARTIGOS SOBRE A TRADUÇÃO DE O PEQUENO PRÍNCIPE ESTÃO REUNIDOS EM NOVO ENDEREÇO. LEIA A ÍNTEGRA CLICANDO AQUI.

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GÊNEROS E GÊNEROS

Não é novo o assunto “diferença de gêneros nas diversas línguas para designar a mesma coisa”. Sobre ele já li coisas interessantes e também ouvi algumas besteiras. A mais memorável, para mim, saiu de uma professora de latim: segundo ela, arbor (árvore) era feminino porque dava frutos. Então me perguntei por que o francês teria transformado seu descendente arbre em masculino e por que cargas d’água flos, que é a flor, da qual sai o fruto, Continuar lendo “O Pequeno príncipe – notas de (uma) tradução – 3”

O espectro do recato

charcot03Comecei a pensar neste texto uns anos atrás. Como se vê, resisto a escrever crônicas.

Aos fatos.

Foi no Theatro São Pedro, ao voltar da escapada ao banheiro, no intervalo entre o primeiro e o segundo ato do Barbeiro de Sevilha de Paisiello. Uns quinze minutos antes, chegando à porta da toalete, tinha deparado com uma fila de mulheres que me impedia de entrar. De onde parei, pude avistar lá dentro duas portas, duas privadas: Continuar lendo “O espectro do recato”