Minha avó analfabeta

ouro para o bem do brasil

Eu vivia meio distante dela, de minha avó analfabeta, que me criou até os dez anos de idade com afagos de mãe. Por problemas familiares, estávamos afastadas, morando cada uma de um lado da cidade: ela adoentada, e eu numa idade que não me permitia ainda plena capacidade de ir e vir. Foi quando soube que ela estava hospitalizada, não me lembro por qual doença. Lembro que peguei vários ônibus e fui visitá-la numa tarde chuvosa. Entrei no quarto com uma de minhas tias: ela dormia. Eu nunca tinha visto aquela mulher tão entregue, tão desarmada e derramada em sono tão profundo. Logo me informaram que não acordaria tão depressa, estava sedada. Continuar lendo “Minha avó analfabeta”

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O espectro do recato

charcot03Comecei a pensar neste texto uns anos atrás. Como se vê, resisto a escrever crônicas.

Aos fatos.

Foi no Theatro São Pedro, ao voltar da escapada ao banheiro, no intervalo entre o primeiro e o segundo ato do Barbeiro de Sevilha de Paisiello. Uns quinze minutos antes, chegando à porta da toalete, tinha deparado com uma fila de mulheres que me impedia de entrar. De onde parei, pude avistar lá dentro duas portas, duas privadas: Continuar lendo “O espectro do recato”