Cart… ilhas

Na semana passada, a propósito da cartilha do MEC, surgiu uma celeuma em torno de um assunto no qual penso há algum tempo. Como tenho cá minhas opiniões sobre ele, estou só aproveitando a ocasião e o interesse para expressá-las.

Começo pela atitude dos jornalistas, que me parece ensinar algo sobre a nossa própria. Por que eles se escandalizaram tanto com o que é dito naquela cartilha, se os desvios da norma há anos frequentam os livros didáticos, que ensinam a existência de formas coloquiais mais relaxadas ao lado de outras formais, mais cuidadas? A resposta que se costuma dar é a seguinte: até agora os exemplos usados eram de desvios praticados pelas pessoas com certo nível de escolaridade, ao passo que o desvio presente na discutida cartilha é socialmente desprestigiado.

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O MEC e sua cartilha

Algumas considerações sobre a publicação recentemente adotada pelo MEC
 

(Leia também Cart… ilhas, texto no qual aprofundo as ideias deste artigo)

Fui durante certo tempo professora de português. Nunca achei que a função do professor de português fosse falar em certo ou errado, mas sim desvendar as estruturas linguísticas que estão à disposição de seus falantes como potência à espera do ato, mostrar que são muitas as maneiras de usar a língua criativamente, provar que esta é um patrimônio cultural inigualável e, principalmente, ajudar a escrever cada vez mais e melhor. Não é fácil. Consegui umas vezes, outras não. Mas há os que não conseguem nunca. É coisa difícil para os que foram formados no velho esquema do certo e do errado e não se livraram dele. Mas, por incrível que pareça, também o é para a nova geração, formada pela cartilha linguística das últimas décadas. Nestes professores, a única preocupação parece ser a de matar o pai, no sentido freudiano. Assim, a minha impressão é de que se continua não ensinando o que realmente importa, em virtude da dificuldade que as pessoas têm de se livrar de esquemas unilaterais. Continuar lendo “O MEC e sua cartilha”